A 1 de outubro celebra-se o Dia Internacional das Pessoas Idosas, uma data promovida pelas Nações Unidas para valorizar o papel, os direitos e o contributo das pessoas mais velhas para a sociedade. Na SPC, queremos celebrá-lo de uma forma muito simples: ouvindo-as mais e descobrindo tudo o que ainda têm para nos contar.
Sabes como é que o teu avô toma o café. Que programa vê depois do almoço. Até sabes qual é aquela história que conta sempre nas reuniões de família.
Mas sabes qual foi a maior loucura que fez quando era jovem? Como foi o seu primeiro encontro? O que queria ser quando tinha vinte anos? Que lugar recorda com especial carinho? Ou que coisa ainda gostaria de fazer e nunca fez?
Por vezes, pensamos conhecer perfeitamente os nossos pais e avós. Até começarmos a fazer perguntas.
Por que motivo o Dia Internacional das Pessoas Idosas é muito mais do que falar de cuidados?
Quando falamos de pessoas idosas, muitas vezes fazemo-lo a partir da perspetiva dos cuidados.
E cuidar é importante. Significa estar atento, acompanhar quando é necessário, facilitar o dia a dia ou encontrar soluções que ajudem a manter a autonomia durante mais tempo.
Mas a nossa relação com as pessoas mais velhas não pode limitar-se a isso. Também significa ouvi-las, interessarmo-nos por elas, reconhecer a sua experiência e continuar a partilhar momentos juntos.
As Nações Unidas lembram precisamente que as pessoas idosas não devem ser entendidas como agentes passivos, mas como pessoas que continuam a contribuir com conhecimentos, experiência e participação para as suas famílias e comunidades.
Celebrar as pessoas idosas também significa reconhecer tudo o que ainda têm para contribuir, contar e viver.
Os nossos avós nem sempre foram avós. Antes disso, houve viagens, amizades, primeiros empregos, noites que se prolongaram mais do que deviam, decisões importantes, canções, amores, erros, sonhos e, provavelmente, mais uma ou outra história que ainda não conhecemos.
Perguntar por essas histórias não é apenas recordar o passado. É conhecer melhor a pessoa que temos diante de nós.
Por que motivo uma pergunta pode ajudar-nos a conhecer melhor os nossos avós?
Foi precisamente isso que quisemos verificar este ano, durante a V Edição da Semana das Pessoas Idosas da SPC, com a nossa campanha Eu Nunca.
Recuperámos um jogo que habitualmente associamos a gerações muito mais jovens e levámo-lo para um contexto inesperado: netos e avós sentados frente a frente.
“Eu nunca…”
E, a partir daí, pode surgir uma resposta surpreendente, uma gargalhada, um “isso nunca me tinhas contado” ou uma história que começa por falar de uma pequena travessura e acaba por nos levar várias décadas para trás.
O jogo é apenas o pretexto: o importante é criar um espaço para conversar entre gerações.
Por vezes, uma pergunta simples é suficiente para descobrir uma parte da vida dos nossos pais ou avós que nunca tínhamos conhecido.
Ouvir as pessoas mais velhas também é partilhar experiências
Há memórias que ganham uma dimensão diferente quando são contadas.
- Talvez uma canção volte a ouvir-se depois de anos.
- Talvez possamos procurar juntos como mudou aquela aldeia onde passavam os verões.
- Talvez uma fotografia guardada numa gaveta acabe por se transformar numa conversa que dura toda a tarde.
- E talvez descubramos que, apesar de nos separarem várias décadas, algumas experiências não são assim tão diferentes.
As gerações mudam, mas muitas das experiências que nos ligam continuam a ser profundamente humanas.
Apaixonarmo-nos. Enganarmo-nos. Fazer amigos. Querer descobrir o mundo. Preocuparmo-nos com a família. Rirmo-nos de algo até nos doer a barriga.
Ouvir essas histórias também nos ajuda a compreender que temos mais coisas em comum do que imaginamos.
Por que motivo ouvir as pessoas idosas também significa olhar para o futuro?
Ouvir os nossos mais velhos lembra-nos de algo importante: a sua história ainda não terminou.
Não são apenas guardiões de memórias. Continuam a ter planos, opiniões, curiosidade, vontade de aprender, de fazer coisas novas e de partilhar experiências com as pessoas de quem gostam.
Por isso, celebrar o Dia Internacional das Pessoas Idosas também significa olhar em frente:
- continuar a telefonar uns aos outros;
- continuar a encontrarmo-nos;
- continuar a aprender uns com os outros;
- e continuar a criar memórias juntos.
As pessoas idosas não são apenas protagonistas da nossa memória familiar; também fazem parte ativa do nosso presente e do nosso futuro.
Que papel pode ter a tecnologia na relação com as pessoas mais velhas?
Na SPC, acreditamos que a tecnologia deve adaptar-se às pessoas e acompanhá-las na sua vida real. Pode ajudar-nos a estar perto quando há quilómetros de distância, a fazer uma chamada, a pedir ajuda quando é necessário ou a proporcionar tranquilidade a uma família.
Mas a tecnologia é sempre o meio. O que importa continua a acontecer entre as pessoas: nas conversas que começam com uma chamada, nas fotografias que partilhamos, nas histórias que alguém decide contar porque, finalmente, parámos para perguntar.
A tecnologia pode facilitar a ligação; são as pessoas que transformam essa ligação numa relação.
Neste dia 1 de outubro, propomos-te algo muito simples.
Pergunta.
Ouve.
E deixa-te surpreender.
Porque talvez ainda não conheças algumas das suas melhores histórias.