Primeiro telemóvel e prevenção do ciberbullying | SPC Quando se fala de crianças e tecnologia, a conversa centra-se quase sempre no tempo de ecrã, na dependência ou no acesso às redes sociais. Há, no entanto, outra dimensão que ganha peso no momento em que um filho recebe o primeiro telemóvel: a forma como se relaciona com os outros. Mensagens, grupos de conversa, fotografias partilhadas e comentários passam a fazer parte do dia a dia e, com eles, surge também o risco de ciberbullying. Por isso, a chegada do primeiro telemóvel é mais do que a escolha de um equipamento. É o início de uma conversa sobre regras, responsabilidade e respeito, que deve acompanhar a criança à medida que ganha autonomia. Prevenir o ciberbullying não passa apenas por controlar o tempo de utilização ou os conteúdos a que os mais novos têm acesso, mas também por ensinar como se comunica online, o que se partilha e como reagir quando algo corre mal. Esta atenção às relações digitais pode traduzir-se em compromissos concretos, definidos em conjunto antes da entrega do primeiro telemóvel: não partilhar fotografias próprias ou de colegas, não participar em mensagens ofensivas ou humilhantes, contar a um adulto quando surge uma situação deste tipo e, numa primeira fase, comunicar apenas com contactos de confiança. Uma relação saudável com a tecnologia começa em família Por ocasião do Dia Internacional contra a Violência e o Bullying na Escola, incluindo o Ciberbullying, promovido pela UNESCO e que este ano se assinala sob o lema “A segurança e o bem-estar de todos os estudantes: da promessa à prática”, a SPC partilha um conjunto de recomendações para promover experiências digitais positivas e seguras desde o primeiro telemóvel. Introduzir a tecnologia de forma progressiva e adequada a cada idade. Nem todas as crianças precisam de ter acesso, desde o primeiro momento, a todas as funcionalidades de um smartphone. Começar por utilizações concretas, como ouvir música, aprender ou falar com a família, permite que se familiarizem com os dispositivos sem uma exposição precoce a ambientes digitais mais complexos. Privilegiar espaços de comunicação baseados na confiança. As primeiras interações digitais podem acontecer em espaços privados, com familiares e contactos previamente autorizados. Assim, os mais novos aprendem a comunicar através da tecnologia num ambiente mais restrito, antes de passarem para plataformas abertas ou redes sociais. Estabelecer acordos familiares, em vez de impor apenas restrições. Definir em conjunto os tempos de utilização, as aplicações permitidas e as regras de comportamento digital ajuda as crianças a perceberem o sentido dos limites. Estes acordos devem incluir também compromissos por parte dos adultos e ser revistos à medida que as necessidades da criança mudam. Acompanhar a autonomia digital sem recorrer a uma vigilância constante. As ferramentas de acompanhamento familiar permitem ajustar as funcionalidades e os limites de cada dispositivo ao grau de maturidade da criança. O objetivo é que a supervisão evolua, de forma gradual, para uma relação assente na confiança, no diálogo e na responsabilidade. Promover uma comunicação aberta sobre as experiências digitais. Falar com naturalidade sobre o que acontece na internet, ensinar a reconhecer comportamentos ofensivos e mostrar que podem sempre pedir ajuda contribui para prevenir situações de ciberbullying. É importante que as crianças não receiem perder automaticamente o acesso ao telemóvel ou ao tablet se partilharem uma experiência negativa. Esta visão do acompanhamento digital faz parte do compromisso da SPC com uma tecnologia adaptada a cada etapa do crescimento, que se concretiza em diferentes iniciativas. Por um lado, o Compromisso Digital Familiar por Idades, um guia prático que ajuda pais e filhos a definir acordos sobre a utilização da tecnologia de acordo com a idade e a maturidade das crianças. Por outro, os dispositivos evolutivos SPC WUUM ONE (smartphone) e SPC WUUM TAB (tablet), que, graças à integração na aplicação de acompanhamento familiar e comunicação segura SPC Circles, permitem às famílias criar círculos de comunicação de confiança, com contactos validados pelos pais, e introduzir novas funcionalidades de forma progressiva, à medida que as crianças ganham autonomia e responsabilidade.