A Iniciativa Google Notícias quer proteger o jornalismo de qualidade
Em plena pandemia mundial da COVID-19, fomos testemunhas de outra grande expansão, a das notícias falsas. Muitas pessoas deixaram-se levar por estas notícias falsas, geralmente alarmistas, provocando mais histeria e inquietação na sociedade. O gigante Google quer combater isto e apostar num jornalismo de qualidade com Iniciativa Google Notícias.
Este jornalismo de qualidade pelo qual a empresa de Mountain View quer zelar tem sido prejudicado nos últimos tempos pelo aparecimento de alguns blogues não profissionais onde se emite opinião e/ou informação não verificada, julgamentos paralelos no âmbito das redes sociais cada vez mais numerosas e a proliferação de títulos sensacionalistas.
Perante tudo isto, o Google quer antecipar-se oferecendo uma solução e colocando a tecnologia ao serviço do jornalismo. Para isso lançou a Iniciativa Google Notícias, que se define como um projeto “de colaboração com o setor do jornalismo para que prospere na era digital”.
Este apoio e aliança materializam-se principalmente em três vertentes: produtos, colaborações e programas.
1. Produtos: Aqui englobam-se as diferentes opções que o Google oferece aos meios de comunicação e agências para que possam desenvolver e expandir as suas plataformas digitais de forma mais simples. Algumas destas ferramentas são, por exemplo, o Google Trends, que permite elaborar comparações, estatísticas, etc., para desenvolver reportagens baseadas nos dados e resultados que esta função nos mostra.
Outro destes produtos que a grande empresa norte-americana disponibiliza aos profissionais da informação e comunicação é algo muito mais prático, como a opção de subscrever com Google Play ou a solução de software livre Accelerated Mobile Pages (AMP).
2. Colaborações: O Google anuncia no site que se aliou a organizações de notícias para responder aos desafios que a indústria da comunicação enfrenta. Com estes acordos, a empresa quer esforçar-se por compreender melhor as necessidades e ameaças a que este setor está sujeito para poder oferecer-lhes soluções mais direcionadas e eficazes e, ao mesmo tempo, promover o trabalho conjunto e em equipa entre diferentes meios.
3. Programas: O Google desenvolveu os seus próprios programas com os quais quer satisfazer as necessidades dos jornalistas e organizações que se dedicam a informar, com o objetivo de os ajudar a triunfar no ambiente digital. Estes programas dividem-se em três áreas:
a. inovação (para um setor renovado),
b. formação na utilização das ferramentas Google (para dominar a técnica da narrativa e a elaboração de reportagens) e
c. investigação e conhecimento (a empresa dirige algumas investigações sobre assuntos essencialmente relevantes para o futuro do jornalismo).
A polémica está sempre à espreita do Google
Todos os grandes estão expostos a polémicas. Atrever-nos-íamos a dizer que a gravidade e o número de polémicas são diretamente proporcionais ao volume de negócios da empresa, marca ou personagem em questão. E neste caso estamos a falar, nada mais nada menos, do Google. Não são precisas mais explicações. Vamos fazer um resumo de algumas das suas situações controversas mais recentes.
Nos últimos anos, este gigante tem sido criticado por colaborar com a censura imposta por alguns governos, utilizando dados de localização para fins comerciais ou mesmo partilhando-os, em troca de uma compensação económica, com outras empresas para depois mostrar publicidade estreitamente ligada aos nossos hábitos.
Além disso, após uma investigação da agência de notícias Associated Press e da Universidade de Princeton ficou demonstrado que o Google continua a rastrear a nossa posição mesmo forçando a opção de desativar o nosso ‘histórico de localizações’.
Nem sequer precisamos de sair do nosso país para assistir a outra situação polémica que envolveu a empresa tecnológica. Desta vez, os jornais espanhóis denunciaram o Google pela sua plataforma Google Notícias alegando que se apropriava da informação e que isso podia reduzir o número de visitas às suas versões online. A sentença judicial posicionou-se do lado da imprensa espanhola e, desde 2015, o nosso país é o único na Europa onde o Google Notícias não funciona.
Com tudo isto, vemos que o mesmo ente que há alguns anos tinha litígios com a indústria jornalística, agora parece posicionar-se como um dos seus salvadores. Questão de esperar.
