[BLOG] A GERAÇÃO INTELIGENTE
A maturidade digital também se constrói passo a passo
Quando uma criança aprende a andar de bicicleta, ninguém espera que ela saia para a estrada no primeiro dia. Primeiro vêm as rodinhas. Depois os primeiros metros. Mais adiante, a confiança. E, pouco a pouco, a autonomia. Com a tecnologia acontece algo parecido. No entanto, muitas vezes esperamos que as crianças passem de não ter nenhum dispositivo a lidar com ambientes digitais complexos praticamente da noite para o dia. E talvez aí esteja uma das grandes contradições do nosso tempo. Nem todas as crianças avançam ao mesmo ritmo Quando falamos de tecnologia infantil, é fácil pensar que existe uma idade concreta para cada coisa. Mas a realidade costuma ser bastante mais complexa. Há crianças que gerem com responsabilidade determinadas ferramentas digitais desde muito cedo, enquanto outras precisam de mais tempo para desenvolver certas competências. Tal como acontece em outras áreas da vida, nem todos amadurecem ao mesmo ritmo. Por isso, mais do que perguntar quantos anos têm, talvez devêssemos colocar outra questão: Estão preparadas para dar esse passo? Crescer não consiste apenas em fazer anos. Também implica adquirir critério, responsabilidade e capacidade para tomar decisões. E isso também acontece no mundo digital. A maturidade digital também se aprende Ninguém nasce sabendo como proteger a sua privacidade, distinguir informação fiável ou gerir o tempo que passa em frente a um ecrã. São competências que se aprendem. A maturidade digital tem a ver com compreender como funciona a tecnologia e como se relacionar com ela de forma saudável. Tem a ver com aprender a comunicar com respeito. Com entender que informação é conveniente partilhar e qual não. Com reconhecer riscos. Com desenvolver pensamento crítico. Com saber quando desligar. E, como qualquer outra aprendizagem importante, precisa de tempo. A autonomia não surge de repente Como pais, costumamos celebrar muitos pequenos avanços: quando começam a vestir-se sozinhos, quando atravessam uma rua com segurança ou quando gerem as suas primeiras responsabilidades. A autonomia digital também faz parte desse processo. Não se trata de dar acesso a tudo desde o primeiro momento. Nem de o adiar indefinidamente. Trata-se de acompanhar. De observar como evoluem. De conversar com eles. De ajudar a ganhar confiança e responsabilidade pouco a pouco. A autonomia não surge de repente. Constrói-se passo a passo. Cada etapa precisa de algo diferente À medida que a maturidade digital aumenta, também mudam as necessidades. No início, talvez o importante seja ouvir música, tirar fotografias ou descobrir conteúdos adaptados aos seus interesses. Mais tarde, chegará a comunicação com outras pessoas, novas aplicações, mais autonomia e novas responsabilidades. Nem todas essas etapas têm de acontecer ao mesmo tempo. E também não têm de acontecer da mesma forma para todas as crianças. O importante não é acelerar o processo nem travá-lo artificialmente, mas permitir que cada passo aconteça quando fizer sentido. Crescer digitalmente também deve ser feito por etapas A tecnologia faz parte da infância atual e continuará a acompanhá-los durante toda a vida. A questão não é se devem usá-la ou não. A questão é como queremos que essa aprendizagem seja. Talvez, assim como lhes ensinamos a atravessar uma rua, a gerir o seu dinheiro ou a relacionar-se com os outros, também devêssemos ajudá-los a construir a sua maturidade digital pouco a pouco. Crescer leva tempo. E crescer digitalmente também.
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