Captura de ecrã do sítio web de Luis Iván Cuende. https://luisivan.net/
A sua formação é a curiosidade pelo mundo
Luis Iván Cuende é um programador espanhol que lançou inúmeros projectos empreendedores e inovadores sem ter estudado mais do que o ensino básico obrigatório.
Nos seus quase 23 anos de vida, Luis Iván Cuende (Oviedo, 1995) teve tempo para fundar aplicações e lançar empresas emergentes com as quais ganhou muito dinheiro, publicar um livro e ser eleito o melhor programador da Europa, entre muitas outras coisas.
A história de Luis Iván Cuende é, não só um exemplo de criatividade, talento e inspiração, mas também uma crítica ao sistema educativo espanhol. Continue a ler para saber mais sobre este empreendedor cuja paixão é o mundo.
Luis Iván Cuende: programar uma ideia
Se olharmos para a sua descrição na rede social Linkedin, Luis Iván Cuende define-se como um amante do software livre e um hacker, ao mesmo tempo que um defensor do lema de desfrutar a vida e potenciar a liberdade.
Na verdade, nas múltiplas entrevistas que deu aos meios de comunicação, Cuende criticou sempre o sistema educativo espanhol e a pouca criatividade que é permitido aos alunos ter e exercer para completar a sua formação livremente.
Esta é uma das razões pelas quais se tornou um defensor da formação autodidata e nunca quis iniciar qualquer curso superior.
De facto, aos 18 anos (2014) publicou um livro intitulado “Tenho 18 anos e nem estudo nem trabalho: Crio empresas e vivo a fazer o que gosto!” (Gestión 2000), no qual contava a sua experiência desde que ganhou o prémio de melhor programador jovem da Europa em 2011, em Berlim, e lançou uma das suas primeiras empresas, “Holalabs”, um projecto que falhou.
"Percebi que tinha passado seis anos a ser alienado por um sistema educativo totalmente obsoleto. Rebelei-me contra esse sistema e decidi dedicar o meu tempo à minha paixão", começa a história de Luis Iván Cuende.
Da sua biografia, este programador destaca, para além de ter sido eleito o melhor programador da Europa e ter sido incluído na lista Forbes, ter sido consultor da vice-presidência da Comissão Europeia, uma espécie de “conselho de sábios” cuja função é aconselhar a organização em questões de tecnologia e do ecossistema digital.
Presente e futuro de Luis Iván Cuende
Actualmente, Cuende é cofundador da Aragon, uma empresa emergente espanhola criada em 2016 que nasceu, segundo explicam no seu sítio, para “trazer transparência e governação independente à frente da gestão de uma organização”.
Mais concretamente, a Aragon dedica-se a construir “ferramentas” para a próxima geração de companhias que aproveitarão as mudanças geradas pelo desenvolvimento da cadeia de blocos e da Internet. De facto, Aragon afirma ter criado uma “jurisdição digital” sem barreiras nacionais.
“As empresas existem para criar valor através do uso de recursos para criar produtos ou fornecer serviços. No entanto, os intermediários e terceiros, como os governos, reduzem o rendimento dessas organizações ao impor restrições e criar quadros reguladores complexos”, defendem na Aragon.
Segundo a prestigiada revista Forbes, que há alguns anos o incluiu na lista Forbes 30 under 30 - a classificação dos 30 jovens mais brilhantes do mundo com menos de 30 anos na área tecnológica - a Aragon não é o único projecto que Luis Iván Cuende dedicou à tecnologia da cadeia de blocos e ao bitcoin.
Cuende está a usar a tecnologia da cadeia de blocos do bitcoin para autenticar documentos, correios electrónicos e contratos online com a sua empresa emergente Stampery, que actua como um notário digital para ligar e garantir a comunicação online, incluindo contratos comerciais, testamentos ou propriedade intelectual.
Na Stampery, Luis Cuende é também cofundador e consultor, mas essa mesma função de aconselhamento aplica-a em outros projectos empreendedores no ecossistema digital com os quais colabora actualmente, como “district0x”, Primitive, Status, Decentraland, Keep ou Gems.
No passado, Cuende trabalhou na elaboração e lançamento do software Asturix, o seu primeiro projecto que consistia num sistema operativo livre e gratuito baseado em Linux, embora também tenha sido desenvolvedor do Firefox OS para a Telefónica.
É também cofundador e director executivo de uma plataforma de financiamento colectivo que reúne as pesquisas para invalidar patentes incorrectas.
Importa destacar que a maioria das empresas emergentes que aconselha se dedica a procurar e desenvolver aplicações para a cadeia de blocos e as criptomoedas bitcoin e Ethereum, um instrumento que muitos consideram o futuro das finanças.
Não sabemos qual será o próximo projecto de Luis Iván Cuende, mas o que é certo é que as suas capacidades como programador e gestor das tecnologias da informação serão cada vez mais necessárias no potencial ecossistema da tecnologia da cadeia de blocos e nas futuras aplicações do sistema tecnofinanceiro (fintech).