Não é a primeira vez que um filme da Disney se vê envolvido em polémicas retrógradas sobre o género das suas personagens. Mas o que é novo para a grande companhia do entretenimento infantil e juvenil é ter de lidar com a proibição em 14 países (por enquanto) para exibir nos seus cinemas uma das suas grandes superproduções: Lightyear. Em Espanha estreou-se já a 17 de junho sem grande repercussão.
Parece coisa de outro século pensar que, pelo facto de duas personagens de desenhos animados do mesmo género se darem um beijo, as leis de um país possam censurar a exibição de um filme para crianças. Mas foi precisamente isso que aconteceu em 14 países do Médio Oriente e Ásia com a última superprodução da Pixar, propriedade da Disney.
A prequela de Toy Story, Lightyear, não será exibida em países como a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait ou Malásia. Tudo por causa da cena em que Alisha, uma das protagonistas principais do filme, dá um beijo na boca à sua mulher, com quem também tem um filho. Esta cena, carregada, por outro lado, de sentimentalismo e carinho, transformou a Disney num estandarte na luta anti LGTBI.

A esta circunstância junta-se a controversa lei anti-direitos na Florida, estado onde a Disney possui nada menos que seis parques temáticos. Esta medida, popularmente conhecida como “Don’t say gay” (Não digas gay em inglês), apoiada pelos republicanos, proíbe ensinar nas escolas questões de género e homossexualidade aos alunos mais jovens.
Neste contexto e com todos estes obstáculos que foram surgindo no caminho da estreia de Lightyear nos EUA e em muitos outros países, o gigante do entretenimento aceitou a censura e eliminou a sequência do filme, o que causou um sério descontentamento entre os trabalhadores da Pixar. Finalmente, após as pressões recebidas pelo pessoal, a Direção da Disney voltou a incluir a sequência completa na obra.

O mesmo futuro parece poder aguardar-lhe na China, o país mais rigoroso no cumprimento das suas normas em matéria audiovisual. Embora, depois da crise provocada por este filme nos Estados Unidos, não seja muito provável que a Disney ceda perante os censores chineses.
Também no Peru se viveram momentos delicados relativamente à estreia de Lightyear. O país lançou nos cinemas um aviso sobre "cenas com ideologia de género" que depois se viu obrigado a retificar e retirar.

Uma boa promoção do filme nos restantes países? Seja como for que possam evoluir as primeiras semanas de estreia do filme que narra a história real de Lightyear, o herói que inspirou o criador do brinquedo, esta é a primeira longa-metragem que o estúdio de animação estreia no cinema após os dois anos de pandemia. Com esta nova obra de animação da saga iniciada há quase 3 décadas, a Disney medirá a resposta do público após estes meses de restrições e medidas de distanciamento social.
Podes ver o trailer no teu tablet se quiseres conhecer um pouco mais de perto a história antes de ires ao cinema.